quinta-feira, 2 de julho de 2020



Alegoria I

Aquarela de Annamélia
texto de Albert Einstein


“Aquilo que é impenetrável para nós existe de fato.
Por trás dos segredos da natureza há algo sutil, intangível e inexplicável.
A veneração a essa força que está além de tudo o que podemos compreender
é a minha religião.”

sábado, 30 de maio de 2020


Apesar de você
Chico Buarque de Holanda / poesia
Annamélia / Aquarela

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu
Você que inventou esse estado

E inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão

Apesar de você

Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar

Quando chegar o momento

Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro

Você que inventou a tristeza

Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar

Apesar de você

Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa

Apesar de você

Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear
De repente, impunemente
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente

Apesar de você

Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai se dar mal
Etc. e tal




sábado, 16 de maio de 2020


Aquarela de Lia Rangel
Presente para sua avó no dia das mães de 2020

Para a mulher mais inspiradora
de minha vida,
espero algum dia ser pelo menos metade de
quem você é vovó !
com todo amor do mundo 
 de sua neta - filha Lia

Anna Amélia (avó), Lia e Gabriela (mãe)
 Texto de e aquarela de Lia Rangel Matos

Lia Rangel cursa o 7º período do curso “ Cinema de Animação e Artes Digitais”
 na Escola de Belas Artes da UFMG (onde a sua mãe e a avó também se graduaram).

 Veja o portfólio de Lia:









domingo, 10 de maio de 2020



Mãe, Mario Quintana

MÃE…
São três letras apenas,
As desse nome bendito:
Três letrinhas, nada mais…
E nelas cabe o infinito
E palavra tão pequena
Confessam mesmo os ateus
És do tamanho do céu
E apenas menor do que Deus!
Para louvar a nossa mãe,
Todo bem que se disser
Nunca há de ser tão grande
Como o bem que ela nos quer.
Palavra tão pequenina,
Bem sabem os lábios meus
Que és do tamanho do CÉU
E apenas menor que Deus!

quinta-feira, 23 de abril de 2020


Poesia
Quem me conta sua estória, Annamélia?
Nello Rangel- Psicologia do Cotidiano
Belo Horizonte, 21-4-20


A memória destilada não existe
Vem sempre impurezas,
turvação e redemoinhos.
Do pensamos que fomos,
muito quisemos que fosse,
alguma coisa ouvimos dizer,
outras tantas vivemos real.
Mas ao olharmos para trás
usamos a retina atual.
Quem nos vê já não enxerga quem nós éramos,
e no adiante já não seremos mais nós.

Mas você é diferente, Annamélia.
Você narrou sua estória
em cores, linhas e formas.
Várias Annas se olham em uma sala de espelhos
Se refletem em Amélias,
Se desenham de ângulos, relógios e entendimentos tantos.
Annamélia já deixou brigar filhos pequenos, o preto e o branco, o bem e o mal.
Brincou com cartas de baralho de lados opostos que não brigavam entre si.
Entrou no barroco, saiu renascentista, pisou no concretismo, escorregou no lirismo, inspirou Nello Nuno a finalmente se equilibrar em uma bicicleta.
Entalhou a madeira, correu o metal, aquarelou o papel e pintou sobre a tela.
Foi menina, mulher, criança ou padre, diabo e anjinho, cantora ou dançarina,
 um tanto de bichos, de noite e de dia.
Passeou por Ouro Preto em trilhas-mapas telúricos, subiu e desceu escadas, voou sobre o casario.
Tanta vida em estórias se tocam e entrelaçam amorosamente que é preciso saber esperar para poder olhar. Tantos vividos e lembranças que sobrou só um pedacinho para as saudades.
Eis vocês, Annamélias. Eis suas vidas a dançar. E são bonitas de montão.



terça-feira, 21 de abril de 2020



NO MEIO DO CAMINHO


No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.


Carlos Drummond de Andrade

Aquarela de Annamélia