sábado, 3 de novembro de 2018

   

Xilogravura
Carta de meu ex aluno Pato

Anna
As palavras são restritas para 
conseguirem dizer
tudo que você representou para mim 
nesses últimos tempos.
Você foi amiga, professora, colega. 
Continue assim Ana, 
sempre em frente,
 Só assim poderemos ver
alguma coisa mudar 
nesse nosso mundo.
Gosto muito de você.

Abraços do Pato
06/12/1981

sexta-feira, 2 de novembro de 2018



Saudades de Nello Nuno


Anjo Azul / Auto retrato
pintura de Nello Nuno 1970


As Gêmeas, Juliana e Tatiana
Pintura de Nello Nuno 1973


Menina- Retrato de Gabriela 
Pintura de Nello Nuno 1972


Nello Nuno - 1975


Casamento de Nello Nuno com Annamélia
e o casal alguns anos depois

Devia ser proibido
Uma saudade tão má
De uma pessoa tão boa
Falar, gritar, reclamar
Se a nossa voz não ecoa
Dizer não vou mais voltar
Sumir pelo mundo afora
Alguém com tudo pra dar
Tirar o seu corpo fora
Devia ser proibido
Estar do lado de cá
Enquanto a lembrança voa
Reviver, ter que lembrar
E calar por mais que doa
Chorar, não mais respirar (ar)
Dizer adeus, ir embora
Você partir e ficar
Pra outra vida, outra hora
Devia ser proibido...
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domingo, 28 de outubro de 2018


Rua de Visitas

Programa que a Faop elaborou  na gestão de Vera Pinheiro, em 1995, 
com o objetivo de: 
valorizar a prática da educação através da arte e do artesanato;
 apoiar os programas de Turismo Cultural; 
valorizar o artesanato como patrimônio cultural de Ouro Preto.


A participação aconteceu através de visitas programadas
 pela Faop,com grupos de 10 a 15 visitantes.


Projeto: Pedro Arcângelo Evangelista (Petrus)
Desenhos de Annamélia


Os visitantes poderão apreciar as formas, os desenhos, 
as composições das portas,  janelas e sacadas.
 Bem como as pontes, chafarizes e frontispícios.
 Ouro Preto é uma sala de visitas de Minas e do Brasil:
 Cidade Monumento da Humanidade.


Da Antiga Vila Rica - no espaço do ouro - restaram nomes minerais:
 Boca da Mina, Lavras Novas, Minas Gerais.
 E sobre os novos tempos do ferro, permaneceram do seu "Ouro Preto":
 a arquitetura e suas artes e artesanatos.
 Hoje, pelos pontos de fuga das 10 esquinas da praça Tiradentes,
 desenham-se suas fachadas, os frontispícios de pedra-sabão,
 os sinos e as torres da cidade, os novos bairros, o pico Itacolomi,
 a Estrada Real, as montanhas de Minas e o asfalto para o mundo.


sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Onze Artistas de Ouro Preto


Pintura de Nello Nuno


Artes Plásticas – Mari’Stella TRISTÃO
Artistas de Ouro Preto expõem em BH
Publicado no jornal Estado de Minas  a 27 de Julho de 19/83

NO DIA primeiro de agosto próximo a Galeria Guignard estará inaugurando a exposição intitulada “Onze artistas de Ouro Preto”, que ficará aberta até o dia 15 do mesmo mês.
Participam da coletiva: Annamélia, Carlos Bracher, Barroso, Jorge dos Anjos, Júlio Coelho, Lígia Velasco, Nello Nuno (homenagem póstuma), Ninita, Thaís Proença, Vandico e Zizi.
Os artistas mostrarão obras inéditas, a maioria, ou todas, abordando a paisagem, o povo e o folclore ouro-pretanos, temática na qual já se consagraram nacional e internacionalmente.
A ideia da exposição partiu da assessora cultural do Instituto de Artes e Cultura da Universidade Federal de Ouro Preto, Cléia Schiavo Weyrauch. O texto de apresentação do catálogo é de sua autoria. A exposição conta com o apoio cultural do UNIBANCO – Minas Gerais e a coordenação geral ficou a cargo da FAOP e do IAC da Universidade Federal de Ouro Preto. Todos os artistas estarão presentes ao “vernissage”.

Texto de Cleia Schiavo Weyrauch
Assessoria Cultural do Instituto de Artes e Cultura da UFOP
(In catálogo da exposição)

 Onze Artistas de Ouro Preto

O ESPAÇO É O RECERIO DO ARTISTA, NELE DESENHA TRAÇOS, CAMINHA NO SENTIDO DA FORMA, CONFIGURA IMAGENS INCONCIENTESDE POESIA, AMOR E MÊDO, NESSE PROCESSO, TRANSPORTA-SE CONCRETAMENTE PARA O MUNDO REALNO QUAL TODOS VIVEMOS.

A dificuldade de verbalizar sobre os vários mundos que convivem em Ouro Preto é um fato por demais conhecido. Compreender a poesia, as angústias e as expectativas dos mundos barroco, vitoriano e contemporâneo, é uma questão que nenhum intelectual até hoje respondeu. Inexplicavelmente, esses mundos, com seus conflitos e equilíbrios, acomodam-se entre si, sob o impacto e a força do visual barroco, marca maior da cidade. Assim, a todo instante, fatias desses mundos se associam, surgindo então, cenas que os pintores de Ouro Preto sabem captar.
De fato, ao captarem essas cenas, recriam a realidade, compreendendo-a sob a forma de arte, tornando-a inteligível para si e para aqueles que dela se aproximam.
Ao contrário dos intelectuais, racionais por excelência, caminham pela estrada da sensibilidade, decifrando através de formas e cores, o mistério da relação homem-sociedade, homem-natureza. Fundamentalmente, cada um deles, à sua maneira e técnica, discute o problema da existência humana, ou seja, a relação do homem com seu passado, presente e futuro. Melhor dizendo, o pintor de Ouro Preto, no processo de recriação da realidade, comunica-se com o presente, prenhe de um passado carregado de história e de um futuro pleno de incertezas. Na prática, ao traduzir em formas e cores suas emoções presentes, cria, difunde beleza num constante processo de intervenção social colorida.
Conscientes ou não de seu papel, ao somarem com suas obras mais beleza ao cotidiano, colaboram no sentido de atenuar seus descompassos. Atuam como transmissores de sensações positivas, como fotógrafos de um mundo em transformação.
Como testemunha da realidade, este pintor registra as mil facetas do dia-a-dia local, às vezes sinistro, às vezes lírico, porém, sempre intenso.
As obras destes pintores que ora apresentamos, são recados de beleza e de amor. Resultam do pacto não verbal que estabeleceram com a inexplicável magia de uma cidade que, sobretudo, amam.
Aqui estão onze artistas cujas obras refletem uma postura de emoção, com relação ao espaço no qual vivem, ou seja, o cenário maior que é a cidade de Ouro Preto.
A arquitetura, as manifestações culturais, o cotidiano nas suas mais variadas formas, estão presentes nessas obras que ora apresentamos.
A Anna Amélia, Carlos Bracher, Jader Barroso, Jorge dos Anjos, Júlio Coelho, Lígia Vellasco, Nello Nuno, Ninita Moutinho, Thaís Proença, Vandico e Zizi, a minha ternura e admiração.


Pintura a óleo
Annamélia


Retrato de Nilton /Nascimento
Carlos Bracher


Jorge dos Anjos
Recorte em chapa de ferro


Pintura 
Vandico


Pintura 
Zizi Sapateiro



domingo, 21 de outubro de 2018


Revoada - Óleo sobre tela
outubro de 2018
Autora: Annamélia

.......Da interpretação da paisagem em perspectiva renascentista, Anna Amélia mudou, recentemente, seu ponto de vista para a tomada aérea, planificando os panoramas, para construir uma nova cartografia, com riqueza de detalhes que podemos identificar, porém com a liberdade de às vezes trair a realidade ao adicionar elementos inexistentes.......

Trecho do texto : Anna Amélia - Uma nova Cartografia de Márcio Sampaio- poeta escritor e artista plástico.

sábado, 20 de outubro de 2018

MEMÓRIAS AFETIVAS
Annamélia Lopes | Gabriela Rangel | Tatiana Rangel | Juliana Rangel
Memórias afetivas remetem a histórias de vida que se cruzam e se conectam através das diferentes formas de perceber, sentir e viver. Em família as memórias afetivas se tornam mais densas por serem compartilhadas no dia a dia e na vivência da arte.
............. Annamélia e suas filhas Gabriela, Juliana e Tatiana Rangel trazem suas pinturas ligadas aos sentimentos e afetos que extravasam suas almas.............
Trecho de Texto de Márcio Sampaio - Escritor, artista plástico e poeta.

"Tempo"/ Aquarela/ autora: Juliana Rangel

"Asas para voar" Acrílica e Vinil/ autora: Gabriela Rangel






"Mosaico Brasil" / Acrílica sobre tela/ autora: Tatiana Rangel

São José e Matriz / óleo sobre tela / Autora: Annamélia

A paixão por Ouro Preto é retratada nas obras da séria “Cartografia Ingênua” de Annamélia. Nello Nuno, grande artista mineiro (in memoriam) e esposo de Annamélia, em poesia já vislumbrava esta paixão: “No ventre de Annamélia, bem no fundo, no verde em ondas de montanhas do ventre de Annamélia vive a alma de ouro preto”.

Ainda sobre o trabalho de Annamélia, Márcio Sampaio escreve:“Da longa convivência com Ouro Preto, cidade que escolheu para morar com o marido Nello Nuno e os filhos, soube assimilar o pathos singular da expressão barroca, transportando-o para o espaço contemporâneo. Da interpretação da paisagem em perspectiva renascentista, Anna Amélia mudou, recentemente, seu ponto de vista para a tomada aérea, planificando os panoramas, para construir uma nova cartografia, com riqueza de detalhes que podemos identificar, porém com a liberdade de às vezes trair a realidade ao adicionar elementos inexistentes. Na pintura, a fantasia é que dá o tom dessa figuração que quer dizer de um cenário percebido no plano da realidade, mas que insiste em ser mais além do que o olhar vê. Cores fortes que respondem a uma pulsação mais emocional contaminam as formas arquitetônicas, desfazem o rigor da técnica cartográfica, para nos brindar com uma outra paisagem impregnada de poesia. Um “topos” em que natureza e construção se complementam com fantasia e afetividade. Espaço simbólico a indicar a existência de uma cidade que será sempre o lugar bom para se viver e sonhar. ”

A vida em família sobre influência de pai e mãe artistas, trouxe para Gabriela, Tatiana e Juliana a arte em todos os sentidos.
Tatiana Rangel também manifesta sua paixão por Ouro Preto nas obras da série “Mosaico Barroco”, trazendo o movimento dos sentimentos na forma de cores fortes e linhas marcantes. “Impregnada do sentido mais profundo da alma popular, sua pintura constitui alegre agenda de experiências vividas e imaginadas, traduzindo o gosto pela luz, pelo colorido e pela leveza que se contrapõem à densidade dramática do barroco”, relata Márcio Sampaio sobre a sua pintura.
Juliana Rangel, professora da UFV e recente artista autodidata, traz obras de sua série “Poesias e Cores da Alma” que através da transparência das aquarelas busca falar das várias dimensões dos seus sentimentos. Suas obras são centradas na fluidez de aguadas, porém de cores fortes, em elementos da natureza e experiências sentimentais na forma de poesias ingênuas e livres de pragmatismos.
Já Gabriela faz do desenho e da pintura o campo para registro de suas memórias e afetos, do ser e estar no mundo. Márcio Sampaio nos diz em apresentação “Ser ou não pintura - não estará aí a questão dessa obra surpreendente. O eixo de sua expressão se inclina para várias direções cardeais, sob fortes ventos da angústia e do desconforto provocados nesse processo de revolver a realidade, reconstruindo antigas experiências. Se há que revolvê-la, envolvê-la, capturá-la e lavá-la em claras águas para devolvê-la com sentido, o desenho de Gabriela, assume a tarefa de reconstituir o mundo e restituí-lo à nossa leitura, não em estado plano, mas envolto na inquietante névoa do mistério".
Voltando às origens da família, as artistas trazem esta sensível exposição ao local de nascimento de Nello Nuno, que nasceu em 1939, na fazenda do Xaxá, atual Laboratório de Dendrologia da UFV. Assim as artistas reencontram suas memórias afetivas através da dança das cores e formas, por mais que individuais, ainda impregnadas das vivências afetivas coletivas e familiares. 


quinta-feira, 18 de outubro de 2018


Noturno com Beija Flor
Óleo sobre tela  -  70 X 60     2016
Autora: Annamélia

Anna Amélia pinta a planta perspectivada de Ouro Preto, e recria a cidade mágica. Não sei se ela terá visto uma planta do século 19, levantada por Henrique Gerber, que um dia me chegou às mãos, fotocopiada por Dimas Guedes. O engenheiro alemão desenhou a planta urbana de Ouro Preto, do Padre Faria até às Cabeças, assinalando precisamente a forma das edificações existentes em cada rua, como as elipses do Rosário ou o quadrado com pátio interno da Cadeia, hoje Museu da Inconfidência.........

Trecho do texto
Uma cartografia encantada
De Angelo Oswaldo de Araújo Santos
Secretário de Cultura do Estado de MG